[ Tema infantil ]
Era um menino pequeno daqueles arteiros.
...Certo dia resolveu passear por conta própria. Segundo sua consciência, já estava pronto para descobrir a esquina mais próxima sem o auxílio de seus queridos pais.
Forçando a mente para lembrar como se preparava um espião holiwoodiano, o menino puxou debaixo do sofá seu tênis vermelho, já surrado pelo tempo, mas que lhe confortaria se houvesse fuga; do cesto de roupa suja pegou e vestiu sua calça jeans escura que o ajudaria a camuflar-se na sombra; e como último utensílio apoderou-se do casaco de seu irmão mais velho para uma melhor proteção no caso de Joãozinho aparecer e lhe atirar pedras como de costume.
Depois de seu vestuário preparado o menino saiu à porta e com ímpeto deu-se a andar em direção a tão cobiçada esquina.
Próximo ao quadragésimo passo que ele dera seus olhinhos insistiam em ver somente o horizonte, nem sinal da esquina, e para piorar percebeu que estava começando a ficar molhado, era suor, o sol, a pino, estava muito forte e ele não tinha pensado nisso. Entretanto tudo aquilo que estava contra ele não o impediria de cumprir seu objetivo; o que o impediria, talvez, era aquela imagem: Joãozinho. De repente avistou a casa azul, igual ao mar, e percebeu que estava no rumo certo. Em seguida lembrou que logo passaria em frente a casa de seu inimigo, e sabia que havia possibilidade de ele estar em casa.
" Dito e feito", assim que avistou a residência de seu rival, notou que havia movimentação na casa, um vulto estava na janela e para falta de sorte do garoto quem estava na janela era o próprio, Joãozinho. O rapazinho interrompeu sua caminhada por um instante para pensar se continuaria e se sim, de que forma passaria pela casa de seu inimigo sem ser visto; mas nem bem parou e Joãozinho o vê, parecia até que o estava esperando. Então ele gritou da janela:
- Que fantasia é essa que está vestido? Parece o Jeca Tatu !
...Tatu é você, que não corta as unhas... - Pensou o menino.
- Espere aí, vou ver de perto suas roupas ridículas! - Após exclamar, saiu da janela.
O menino preocupou-se " agora ele virá aqui, estou perdido, o que faço?"
Sua mente estava confusa, não decidia se ia ou voltava, se enfrentava-o ou se já começava a chorar, assim poderia haver pena por parte do seu inimigo; mas ouviu vozes, concentrou-se para entendê-las.
" Joãozinho, o sol está muito forte, vai lhe fazer mal, não vai sair não, fique aqui dentro e não me desobedeça. Quando o sol enfraquecer você pode sair!".
O garoto entendeu que as ordens não seriam descumpridas. Então encheu-se de alegria e continuou a andar, um passo calmo e vitorioso, como se nada mais estivesse em seu caminho.
Não demorou muito e lá estava ele, a passos de encontrar a esquina. Então ele chegou, parou e descansou; observou bem as ruas, sentiu-se que estava onde o mundo começava; aquela esquina, para ele, era a rota dos quatro cantos. E descobrirá, talvez a primeira descoberta de sua tão juvenil vida, a sensação gloriosa da conquista, a qual, entre todos os filmes com seus geniais espiões e heróis, não o tinham lhe feito sentir. Por um segundo o menino pensou em continuar sua caminha por uma das ruas, mas só por um segundo, logo percebeu que precisava crescer mais para continuar e que essa jornada seria uma outra história.
Em seguida voltou, rumo a sua casa, e rápido, pois não sabia até quando o sol continuaria forte.

3 comentários:
Haha
Legal.
Opa, valeu pelo comentário e pelas dicas em geral.
Eu tenho ciência que textos grandes de fato afastam os leitores, mas a princípio o Blog esta sendo mais para mim do que para os outros, tanto é que eu nem o divulgo nem nada.
Sou estudante de jornalismo e fui agora para o 2 período, ou seja, to aprendendo e começando tudo. Hehe
Abraço!
Oii tche adorei a sua visita ao meu blog...
e adorei sua crônica mto boa, bom eu estava fazendo uma matéria on line sobre a contrução do romance vou ver se dá pra te enviar os textos vc vai gostar....
bjossss
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